sexta-feira, 28 de maio de 2010

Descrições

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terça-feira, 11 de maio de 2010

Cidade em obras!

Da janela da minha sala de aulas, vejo um espaço da minha cidade, chamada Famalicão.
Nesta manhã soalheira, sombreia ao longe só arvoredo, árvores despidas, sem vida.
Mais próximo, surge a escola D. Sancho que é bege e onde se vêem alunos a fazer Educação Física.
Ao meu lado direito, erguem-se os prédios verdes e beges com chaminés brilhantes no alto e também prédios cor-de-rosa, ladeados por uma rua.
À minha esquerda, há o parque de estacionamento da escola D. Sancho e também a Escola Júlio Brandão.
Mas ao centro, vejo os contentores frios e tristes da minha escola.
Então apercebo-me que este espaço da cidade está confuso e agitado e não nos dá paz, pois não é agradável.

Nelson José Oliveira Cruz 7º A Nº18

A Casa de Sonho!


Certo dia, eu irei entrar numa casa que será um sonho à beira mar!
Sentir a maresia na cara: uma sensação fascinante! Nunca conheci nada tão belo como a brisa do mar.
A casa está quase pronta: aquele azul da casa combina com o laranja do sol, batendo nas águas suaves do mar. Já “durmo” no meu quarto: é azul! Quando lá “entro”, parece que penetrei num mundo de fantasia e amor.
O meu quarto está cheio de maravilhas: a minha Dual disk, azul, como a do Chazz; depois, mais à esquerda, a cama iluminada pela luz radiante do sol que acaba de nascer.
Estou ansioso que ela esteja pronta! Assim poderei mostrar a todos o verdadeiro mundo da beleza e do amor.



MIGUEL AFONSO N.º 16 7A

A minha cidade

A Minha Cidade!

Da janela da sala de aula onde eu estudo, todas as Quintas, avisto o Parque Sagres.
Hoje, nesta manhã de céu limpo, a poluição é pouca comparada com os outros dias.
Posso ver daqui de cima deste terceiro andar, os edifícios bonitos de cor verde com algum castanho à mistura. Vê-se uma rua onde hoje circulam poucos carros.
Desta cadeira pouco confortável em que me sento, vejo à direita, amarela e bonita, a escola D. Sancho; à minha esquerda, balançam, com a brisa, belas árvores cujas folhas caíram no Outono; e à minha frente, vejo belo e florido o Parque Sagres (Parque Da Juventude).
Ao contemplar esta paisagem, compreendemos como a cidade é LINDA!

Miguel Lopes Castro

Número 17 7ºA

Ao entrar no meu quarto

Ao entrar no meu quarto, sente-se uma sensação agradável: há frescura e pureza no ar, com o sol a espreitar todas as manhãs e a espalhar luz, alegria e cor por todo o lado.
As duas paredes, cor-de-rosa, reflectem cor e vida. As portadas das janelas esbranquiçadas brilham como estrelas à luz do sol. E, envolvendo tudo, uma extraordinária mistura inebriante dos vários perfumes torna fresco e leve o ambiente do meu quarto.
O brilho do chão envernizado intensifica-se com a luz do sol e, da parede, um menino com uma lágrima olha -me sempre. Entrando no quarto, do lado direito, encontra-se uma secretária/prateleira, onde passo o meu tempo de estudo, e uma cama. Em frente da porta e ao lado da janela, situa-se uma mesinha de cabeceira, que está perto da cama e encostada à parede. Do lado esquerdo, um guarda-fatos.
Da janela do meu quarto vê-se a luz, as casas dos vizinhos e uma estrada nacional, em que passam continuamente automóveis.
Nele sinto uma sensação de que estou confortável, e que posso dizer: “Estou no meu canto, no meu mundo”.

Maria João da Silva Padrão nº 14, 7º A

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Marinheiro

Numa manhã de Junho, Robert, um rapazinho de 8 anos, correu para a praia como fazia todos os dias. Ficava horas a ver o mar. Mal Robert sabia que a sua vida estava prestes a mudar.
Dois homens conversavam à beira mar. Um olhou para o rapazinho e perguntou:
- O que estás aqui a fazer?
Rob respondeu:
- Vim ver o mar. Todos os dias venho vê-lo.
- Vejo que gostas do mar.
- Sim, muito! E um dia, vou ser um grande marinheiro!
- Ai sim? Rapaz, queres vir comnosco e tornar-te marinheiro?
- Gostava muito!
- Como te chamas?
- Robert.
- Muito bem, Robert! Agora, és um marinheiro de verdade!
O menino sorriu e o outro homem, alto, ruivo e de olhos azuis, disse sorrindo:
- Bem vindo a bordo!
Já no alto mar, Robert deliciava-se com o cheiro do mar e com a brisa a bater-lhe na cara. Nunca na sua vida se sentira tão feliz!
- Capitão, – chamou o pequeno, ao mesmo tempo que lhe dava puxões na camisola – o que há no fundo do mar?
- Os teus pais nunca te disseram?
- Os meus pais estão a dormir.
Fez uma cara triste.
- Oh! Desculpa! – disse o capitão. – Bem, então cuidarei de ti como se fosse teu pai!
Riu e continuou:
- No fundo do mar, existem conchas, navios naufragados, tesouros, peixes e sereias.
- Sereias? O que são sereias? – questionou confuso.
- Sereias são seres que são metade mulher metade peixe. –explicou.
- Ah! Obrigado senhor capitão!
- Sabes, miúdo, és parecido comigo!
Robert sorriu.
Viajou por todo o mundo. Do Reino Unido, que era a sua casa, à América, Índia, Japão, França… Um pouco por todo o lado.
Thomas, o capitão do navio, adoptara Robert e, desde então, tratara-o como um filho e Robert tratava-o como um pai. Robert conseguira aquilo que sempre desejara… Ser marinheiro.


Ana Luís Cardoso Soares
Nº 3 - 8º B

terça-feira, 27 de abril de 2010

Ler está na moda

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Um conto de Saramago

terça-feira, 6 de abril de 2010

A Lua

A Lua preparava-se para iluminar a Noite, que estava para chegar a qualquer momento, e, com ela, as Estrelas. Enquanto avistava as Estrelas a posicionarem-se no seu lugar no céu, ela ajeitava o seu vestido branco de renda e penteava o cabelo negro como a noite. Assim que chegasse perto das irmãs Estrelas e Noite, iria envergar o disfarce de um astro redondo e branco, como todas as noites fazia.

Quando atingia a fase de Lua Nova, escondia-se atrás das nuvens e passava as noites a conversar com as Estrelas, também escondidas pelas nuvens Pairavam sobre as corujas e grilos, que chiavam e gritavam na noite para assumir presença, sobre o brilho que elas transmitiam sobre os mares, lagos e rios, sobre os jovens namorados que, muitas vezes, acompanhavam, e sobre o Dia, que ambas nunca viram nas suas vidas.

Mas quando a Lua estava na sua fase mais brilhante e completa, a Lua Cheia, aí, sorria para o mundo a noite inteira. Rapidamente se transformava no centro da noite e, às vezes, as Estrelas ficavam com inveja, porque eram míseros pontos que brilhavam na imensidade negra que era o céu à noite, e quase passavam despercebidas à beira da Lua.

A Noite já estava quase a cobrir o céu e, então, a Lua já estava preparada para sair e colocar-se à sua beira, mas as Estrelas fizeram-lhe frente e disseram:

- É noite de Lua Cheia e tens sempre a atenção toda concentrada em ti, mas hoje isso não vai acontecer, porque não vais aparecer.

E então, prenderam a Lua no Espaço e, durante quase a noite inteira, ela gritou que a acudissem, mas nada se moveu, apenas ela.

As pessoas questionavam-se por que é que a Lua não tinha aparecido. Os mochos e corujas calaram-se, os grilos também, as marés, rios e lagos estavam indignados com a ausência da Lua, e os namorados deixaram de se amar. A Lua estava agoniada com a catástrofe e a Noite também. Esta não sabia onde ela estava e as Estrelas fingiram-se distraídas, fizeram de conta que nada se passava, mas uma delas, que estava profundamente arrependida, disse o que tinham feito, ela e as suas irmãs.

A Noite ralhou-lhes durante muito tempo, mas logo libertaram a Lua.

A Lua e a Noite estavam desapontadas com as Estrelas, mas compreendiam-nas e, assim, ambas decidiram dar mais brilho a cada Estrela que existia, e a que mais brilha no céu, a Estrela que aponta o Pólo Norte, é aquela que se arrependeu do que fez, e, assim, a Lua deu-lhe mais brilho do que às outras.

Sofia Miguel,
8º B

quarta-feira, 17 de março de 2010

Homem à beira-mar

Era uma vez um homem, um marinheiro que nunca deixou o mar por completo, e cujo corpo estava na terra, mas o coração continuava no mar, não se sabe se no fundo do mar ou se em alto mar.
Antes de sair para alto mar, os marinheiros pediam-lhe para ele fazer a sua “previsão” para o futuro do navio e, por vezes, ele fazia-a e dizia: “Este é um navio naufragado porque os homens que irão nele têm o coração em terra”, ou, ao contrário, “Este navio voltará até nós outra vez”. Por vezes, porém, não dizia nada, não se sabe porquê, mas não falava, como se tivesse medo de falhar. Mas, mesmo assim, as suas palavras – e até mesmo os seus silêncios para o povo da sua terra – eram cheias de sabedoria e até os mais novos adoravam ouvir as suas historias, algumas verídicas outras muito fantasiosa com fantasmas e navios que desapareciam em alto mar, monstros que os “comiam” e piratas de perna de pau.
Tudo isto fez parte da vida do Homem à beira-mar, até vinte e nove de Maio de mil novecentos e noventa e sete, dia em que morreu.
Uma coisa curiosa é que, antes de morrer, fez um pedido, tal como no conto “Saga” de Sophia de Mello Breyner Andresen que ele lera em tempos, e pediu para ser enterrado num sítio onde o rio, a barra e o mar se vissem, para que o mar estivesse presente, como esteve na sua vida. Por isso, queria-o também na sua morte. E assim é a historia do Homem à beira-mar.


Francisca Carvalho, nº 11, 8ºB

terça-feira, 16 de março de 2010

(Um) Diário de Maria III

27 de Janeiro de 1599

Boa noite, meu ouvinte!
Ainda bem que posso contar contigo todas as noites, para me libertar deste sofrimento que sinto no coração. A mágoa que sinto neste momento é tão grande que me sufoca a alma e me impede de ser eu mesma todos os dias.
Eu sei tudo, tenho pena que pensem que ainda sou uma criança imatura e por esse motivo não me possam dizer aquilo que já sei. Só queria uma confirmação da parte deles.
Eu sei que tenho apenas 13 anos, mas também sinto que já sou uma criança bastante desenvolvida para a idade que tenho. Eu sinto coisas que ninguém sente, oiço coisas que ninguém ouve e consigo ler nas entrelinhas tudo aquilo que eles não me querem contar. Dia após dia, sinto-me mais incapacitada de correr como corria, brincar como brincava, de viver como vivia, coisas que todas as crianças normais da minha idade fazem. As palpitações no meu coração estão cada vez mais fortes, a tosse seca, as febres altas, as tonturas, o sangue a sair pela minha boca, já não suporto mais isto! Sinto que os meus dias estão a acabar!
Meu querido ouvinte, pressinto que este seja um dos meus últimos desabafos. Despeço-me com ansiedade de saber se te vou poder escrever de novo.

Maria de Vilhena.



29 de Janeiro de 1599

Boa noite, meu ouvinte!
Estou farta de me questionar sobre o porquê de o Telmo ter deixado de falar comigo sobre D. Sebastião e sobre o seu regresso. Foi como se de repente ele se tivesse esquecido que também é um Sebastianista e que tal como eu acredita na sua vinda, para nos salvar deste governo Filipino.
Não sei será a minha ingenuidade, mas, na minha opinião, Portugal devia ser governado por Portugueses e não por espanhóis, porque nós é que sabemos as necessidades do nosso povo e eles, os espanhóis, só se preocupam com a responsabilidade de governar Portugal.
Os meus dias estão cada vez mais monótonos e as palavras que te escrevo são cada vez mais escassas. Não tendo assim nada de novo para te escrever, despeço-me de ti mais uma vez.


Maria de Vilhena.

3 de Fevereiro de 1599

Boa noite, meu ouvinte!
Já há 5 dias que não te escrevo e a falta que sinto de desabafar contigo é imensa.
Muita coisa se tem passado... Dia após dia, a distância entre os meus pais tem sido cada vez maior. Não sei porque motivo, mas desconfio que esteja relacionado com aquele retrato pendurado no hall de entrada, colocado ao lado do meu admirável D. Sebastião e de Luís de Camões. Desde o dia em que viemos para esta casa, aquele retrato tem assombrado a minha mãe.
Eu acho que percebo o que se passa, mas não sei se quero perceber. Sinto-me cada vez mais fraca e incapaz de questionar a minha mãe sobre assunto algum, sei que aquela face persegue toda a hora e momento o pensamento da minha querida mamã.
Peço-te força e coragem para a conseguir ajudar a suportar toda esta tristeza que a tem atormentado.
Tenho o pressentimento de que a próxima vez que te escreverei será para me despedir definitivamente de ti.
A minha mãe acabou de passar no corredor desfeita em lágrimas, tenho de ir...


Maria de Vilhena.
11º E
Catarina Fonseca
Rafaela Moreira
Joana Sequeira
Paula Fonseca

(Um) Diário de Maria II

21 De Outubro de 1599
Minha intuição,
Hoje, mais uma vez, senti-me orgulhosa do meu pai. Escrevo para que este momento não fique apenas registado nas minhas memórias, mas também em papel como ficam todos os grandes actos.
O meu pai hoje mostrou ser um grande português pois defendeu a pátria. Ao incendiar a nossa casa, senti que ele era o meu herói e, um dia, desejo ser como ele. Apesar das lágrimas deixadas cair pela minha mãe, o meu pai não se desencorajou e fez aquilo que, na minha opinião, tinha que ser feito.
Vou agora dormir, pela primeira vez, no meu novo quarto, pois este foi um dia muito cansativo.

P.S. A minha mãe e o Telmo andam mesmo estranhos, nem ouviram o meu pai e os seus homens a chegarem.


29 De Outubro de 1599
Minha intuição,
Esta foi uma semana difícil. A adaptação a esta nova casa, a estes novos ares, a estes novos sentimentos, está a ser mais complicada do que previa, principalmente para a minha mãe. Ela tem estado estranha desde que passamos por aquela sala de retratos, aonde nunca mais quis voltar. Desde esse momento, ela passa os dias no quarto a chorar, um facto que tenta esconder de mim. Mas eu bem sei que aquele quadro desperta nela horrores. E em mim? Em mim, desperta curiosidade.

2 De Novembro de 1599
Minha intuição,
Ultimamente tenho sonhado mais do que o costume. Não sei bem explicar os meus sonhos, porque nada é nítido. Vejo personagens estranhas, quadros misteriosos e desastres que tendem a destruir a minha família. Os sentimentos são tão fortes que acordo a gritar, suada e com a boca ensanguentada. Está tudo tão confuso… Até o meu pai parece estar diferente, diferente… diferente porquê? O que se estará a passar?
11º E
Ana Adelaide nº1
Jéssica Rodrigues nº12
Joana Gomes nº14
Luís Filipe nº19

(Um) Diário de Maria

Hoje, mencionei estes papéis desorganizados que me são tão queridos ao Tio Jorge. Quero partilhar com ele as minhas escritas patrióticas, os meus desejos e sonhos profundos que vou transpondo para estes papéis. Coisas soltas que o meu coração não consegue manter fechadas. Por vezes, solta-as em diálogos familiares! Contudo, tenho tentado controlá-lo, pois sempre que expresso o meu amor ao nosso honrado rei D. Sebastião, minha mãe fica sobressaltada, como se com o regresso do nosso santo rei voltasse a desgraça!
Não compreendo, na verdade. Meus pais, tão bons Portugueses, não acreditam que o rei não morreu, e que voltará num dia de névoa cerrada? Ainda dizem ser quimeras, esta crença legítima de quem ama o seu país?
Pressinto algo estranho por detrás disto. Nem o meu bom Telmo conversa mais comigo acerca desses assuntos. Minha senhora mãe o proibiu, decerto. Apenas me resta saber o porquê.
Bem, devo terminar este escrito, pois tenho de juntar as minhas coisas, os meus livros, para a partida. Meu pai, português dos verdadeiros, afrontará os tiranos que pretendem invadir a nossa casa. Livrar-se, assim, de tudo o que é seu, em nome da sua pátria! Quanto honrada me sinto em ser sua filha. Que se aprenda em Portugal, como um homem de honra e coração, por mais poderosa que seja a tirania, sempre lhe pode resistir, em perdendo o amor a coisas tão vis e precárias como os haveres que possuímos. Estas coisas materiais desaparecem, viram cinzas e ninguém sente a sua falta. Agora, valores, ideais, honra? Nada os consegue destruir.
Terei mesmo de finalizar este manuscrito, sinto-me esgotada. Todo este entusiasmo fatigou o meu corpo. A minha alma terá de acalmar o fogo que a consome, para que o meu corpo, cada vez mais franzino, devo acrescentar, descanse.

Maria de Noronha

Eu ouço coisas, melhor do que nunca. Bem sei o que se passa, tento encobri-lo perante minha mãe, que tem vivido aterrada, desde que chegamos a esta maldita casa. Bem sei que pertence ao homem daquele retrato, ao lado da imagem do nosso santo rei e doutra, do ilustre poeta Camões cujos livros leio com o meu bom Telmo. Desconheço o nome e a figura de tal homem, cuja face aterroriza minha mãe.
Defronte dela, poupo os agouros e presságios, mas não posso negar saber que a desgraça se irá abater sob a minha família. Mas porque ninguém fala comigo? Tenho de confirmar tais certezas, pois posso apenas estar iludida, inventando histórias e enredos, como nos livros de cavalarias cuja leitura tanto me apraz. Telmo… Telmo é a minha resposta.
E que lindo retrato do meu bom rei D. Sebastião, que linda figura! Com certeza mantém o seu ar distinto, lá na longínqua África. Não há guerra que destrua tanta dignidade.
Maria de Noronha

Telmo mente-me, contorna as perguntas que lhe faço. E ainda engana-me, dizendo que conta toda a verdade. Talvez não precise de mais nada para confirmar que é esse homem, retratado naquela sala, o terror de minha mãe. “O outro”, como ela o chama, será, de algum modo, a morte desta família. Perdi o apetite.
Maria de Noronha

Ai meu querido pai! Agradeço-vos tanto por, finalmente, falares comigo. Eu sabia, sabia de um saber cá de dentro, bem mo dizia o coração. D. João de Portugal, “o outro”, ficou na batalha de Alcácer Quibir, que pena! Mas se ele viesse, não existiria eu, agora, e não poderia ser a menina de treze anos mais amada em todo Portugal. Todos me escondiam factos, para me proteger da desgraça. Ficar-lhes-ei, para todo sempre, grata. Levarei para outra vida o amor do meu pai, minha mãe e do meu bom amigo Telmo e apenas isso me aconchegará no leito, quando chegar a hora. A ilusão foi, até hoje, uma redoma invisível que me protegia, porém, agora, os seus cuidados e o seu amor, são o meu amparo.
Este sangue em chamas que me consome as veias não me promete muito mais tempo. Espero, pelo menos, que seja suficiente para assistir ao regresso de D. Sebastião e à vitória do meu Portugal!
Vou-me deitar, com o desejo de amanhã não ver aflita minha mãe, e sonhar que a doença vá embora, porque Deus prefere que a maleita mate tiranos, do que dar tamanho desgosto a uma família de verdadeiros Portugueses.
Maria de Noronha



11º H
Diogo Silva, nº 9
João Queirós, nº 13
Letícia Teixeira, nº 18
Margarida Ruela, nº20
Mário André Marques, nº21

E se Maria de Noronha tivesse escrito um diário?

Alguns alunos do 11º ano, após a leitura de Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett, imaginaram algumas páginas do diário da personagem Maria. Poderás lê-las nos posts que se seguem.

A mudança

A vida, por vezes, deixa de fazer sentido e temos necessidade de mudá-la. Quando nos sentimos em baixo e fartas de ver e viver sempre as mesmas coisas, desejamos ir para outro lugar e começar tudo de novo.
Alice era uma mulher com 27 anos, a sua vida profissional estava bem, era administradora numa empresa e muito bem sucedida. Já não se podia dizer o mesmo da sua vida sentimental, pois o namorado tinha-a enganado com a sua melhor amiga, a sua mãe estava com uma grave doença e nunca conhecera o seu pai. Ela fazia de tudo para tentar salvar a sua progenitora, mas receava que esta já não tivesse muito mais tempo de vida. Alice sofria com isso e pensava que, se perdesse a sua mãe, iria deixar de ter razões para viver e que a vida perderia o sentido. A mãe não tinha nada nem ninguém por quem lutar ou continuar a viver. Estava cada vez mais fraca! Um dia, de tão fraca que estava, viu as luzes do seu mundo apagarem-se todas. O funeral foi no dia seguinte e Maria foi enterrada no mesmo cemitério em que a avó de Alice fora enterrada.
Alice chorou como uma desalmada, pensou até em suicidar-se. Mas, passados alguns dias de tanto sofrimento, pensou que também tinha o direito de ser feliz e, se não fosse naquela cidade ou naquele país, iria mudar de localidade. Foi ao emprego e despediu-se. Vendeu a sua casa e, como já tinha bastante dinheiro e podia até dizer que estava rica, decidiu deixar tudo e ir viajar, conhecer sítios e pessoas novas e ser feliz. Mas viajando sempre atrásde algo que amava, o mar.
Cristina Gonçalves, 8º B

Morte de Paixão

Yara, uma rapariga jovem e com grande beleza, vivia numa pequena aldeia perto de Atenas. A sua família era pobre, mas vivia alegremente. Yara era uma estudiosa, tinha conseguido há pouco tempo uma bolsa de estudo em Itália por causa de tão boas notas. Porém, apesar da felicidade, Yara não queria deixar a família sozinha em tão más condições. Quando chegou o dia de partir, toda a sua família chorava perdidamente, mas sabia que isto era o melhor para ela e para todos.

Quando Yara chegou a Itália, ficou espantada, era tudo muito diferente da sua pequena aldeia. À sua espera estava Giulia, colega de escola. Giulia e Yara passaram as três horas seguintes do caminho para Milão a falar. Quando chegaram, já era de noite, Giulia convidou Yara para uma pequena celebração na Vila em que Yara iria viver. Esta concordou em ir e chegaram lá em pouco tempo. Todos os presentes ficaram hipnotizados com a estranha beleza grega de Yara, especialmente Thiago, filho do Conde Charles de Inglaterra. Não demorou muito até que Thiago fosse falar com Yara. Os dois conversaram durante toda a celebração e, assim, começou esta história de amor.

Yara e Thiago apaixonaram-se logo que se viram. Durante os dias seguintes, não se largavam, parecia que tudo ia durar para sempre, mas não. O pai de Thiago ouviu falar neste romance e decidiu acabar com tudo. Um filho dele nunca iria casar com uma estrangeira e ainda por cima, pobre. O Conde Charles fez tudo o que podia, ameaçou-a, tratou-a mal, mas, em vez de acabar com o amor que os dois sentiam, fê-lo ficar maior e ainda mais forte. Os tempos foram passando e, numa noite escura de Novembro, Thiago e Yara casaram às escondidas, por baixo do grande Carvalho, onde fizeram juras de amor eterno.

Quando Charles descobriu, não pensou duas vezes e mandou matar Yara. Como prova de sua morte, pediu que lhe trouxessem o seu coração. A ordem foi executada e Yara faleceu às dez em ponto da noite. Porém, antes de falecer desenhou no chão um Narciso, pois Yara era fascinada pela história de Eco e Narciso. Thiago ficou desfeito, fechou-se em sua casa durante dois meses. Saía apenas para ir chorar mais, para perto de sua amada.

Um dia, quando estava perto do velho Carvalho, reparou no rio que passava ao lado e viu que nele estavam pousadas belas palavras de amor em Grego e, ao lado, um enorme Narciso. Thiago ficou admirado, pois ninguém naquela terra sabia Grego excepto Yara, que lhe tinha ensinado pequenas frases. Reparou que essas mesmas frases iam aparecendo sucessivamente pelo rio e pela face de Thiago iam caindo lágrimas de variadas emoções: saudades da esposa que amava mais do que a ele próprio, alegria por ver que mesmo em espírito, Yara, deusa e dona de seu coração, continuava a pensar nele; tristeza, pois sabia que só depois da sua morte a iria ver e fúria, pois sabia que tudo isto só aconteceu por causa de seu pai.

Depois de ver este sinal de Yara, Thiago ficou mais desesperado, enlouqueceu por não ter ao pé de si tudo o que mais queria, passava os dias naquele rio procurando mensagens de sua amada.

Com o desespero, matou-se, pois sabia que era a única forma de a ver de novo. Mas antes de se suicidar escreveu inúmeras cartas de amor para uma deusa Grega e, numa dessas cartas, pediu para ser enterrado ao lado de Yara para que pudessem viver o amor que não puderam na Terra na Eternidade. O seu pai, o Conde Charles, arrependeu-se do mal que fez, pois foi isso que lhe tirou o filho, e, para se redimir, juntou todas as cartas que Thiago tinha escrito e publicou-as por meio dum livro denominado "Deusa do Amor".

Amor mata, amor dói, mas no fim todos queremos um pouco dele.

Dedicado a Pedro I e a Inês de Castro, por quem o amor também foi roubado, mas que ainda vive.
Fátima, nº 16,8º B

domingo, 14 de março de 2010

O Arcano


O Arcano

Há muito tempo, numa terra distante, havia um homem que não gostava de nada nem de ninguém chamado Arcano.
Um dia, encontrou uma gruta e pensou que aquele lugar servia para o seu novo plano maléfico. Mas esse lugar era mágico e nele habitava um homem sábio, que disse que, por ele ser tão mau, tinha de recompensar os seus erros ajudando os outros. Porém, como era um homem maléfico, e apesar de ter dito que ia fazer tudo para ser perdoado, roubou mais, gozou mais e foi ainda mais mal educado.
Quando chegou à sua cidade, começou imediatamente a roubar e o homem da caverna apareceu, batendo com um bastão três vezes no chão. Arcano foi parar a uma câmara secreta debaixo da terra onde lhe apareceu um homem de barbas muito velho e lhe disse que, como ele, existiam há muito tempo outros doze. Por isso ele ia transformar-se no décimo terceiro arcano, a “Morte”, e andar pela terra a levar as almas das pessoas más para o inferno.
E é por isso que, nas cartas de tarot, a morte aparece representada como “o 13º arcano”.


Luís Oliveira, 8º B

O Castelo dos Destinos Cruzados, de Italo Calvino

"Apliquei-me sobretudo a observar as cartas de tarot com atenção, com olhos de quem não sabe o que sejam, e a extrair delas sugestões e associações, a interpretá-las de acordo com uma iconologia imaginária. Quando as cartas alinhadas ao acaso me davam uma história em que eu reconhecia um sentido, punha-me a escrevê-la…"
Italo Calvino
À semelhança do que fez Calvino, foi pedido aos alunos que escrevessem contos a partir de cartas de Tarot. Nos próximos posts, poderás ler alguns deles.

Alice e a Leitura

Ao Lewis Carroll

Enquanto Alice tentava fazer a sua viagem para casa, daquele mundo cheio de fantasia e personagens bizarros, das mais inimagináveis espécies, que ela nunca tinha visto, surpreendeu-se com aquilo que se deparou naquele momento: A leitura. A estranha criatura surgiu em forma de livro, e, em vez do título, estavam dois olhos adoráveis a observá-la. Mais abaixo, estava a sua boca, a esboçar um sorriso acolhedor. O livro não tinha palavras escritas dentro dele. Continha apenas folhas amareladas, sem impressão qualquer de palavras.
Alice esbugalhou os olhos, como que surpreendida, e perguntou:
-O que és tu? – Alice ainda não sabia que aquele livro gigante era A Leitura.
O livro, com pernas e braços, aproximou-se dela e a sua expressão facial mudou de amigável para observadora.
-Estás perdida não estás, menina? – Questionou A Leitura.
Alice ajeitou com um gesto o seu vestido azul e branco muito volumoso, e disse:
-Chamo-me Alice, e sim, estou um pouco confusa. E tu, quem és tu?
A estranha figura, com um ar ofendido, disse rapidamente:
-Eu sou A Leitura, ainda não te apercebeste?
-Não. – Respondeu Alice, calmamente. – Eu pensava que eras um livro gigante que andava e falava. E ainda por cima sem história.
-Sem história? – Interrogou.
-Sim, sem história. – Afirmou. – Não tens nada escrito nas tuas folhas.
-Não tenho, porque eu represento A Leitura em geral e não um tipo de leitura. – Respondeu. – É por isso que não tenho nada escrito nas minhas folhas.
De repente, ouviu-se um bater de asas muito alto, e poderoso. Era a Águia. Todos os dias atormentava a pobre Leitura, agarrando-a e levando-a para longe dali. Fazia-o por apenas gozo, o que era muito mau.Agarrou-a novamente, mas, daquela vez, Alice estava lá para acudi-la e, assim, o fez. Atirou-se com unhas e dentes para cima das garras da Águia, na esperança de salvar A Leitura. A Águia, com todo aquele peso, não conseguia voar direito e, então, teve que largar as largar a ambas.Quando Alice e A Leitura já estavam bem assentes no solo, A Leitura agradeceu-lhe e disse:
-Depois de me teres salvo, talvez eu consiga encontrar o caminho para casa, para a tua casa.
-Eu sou do mundo dos humanos, há caminho para lá voltar?-Penso que sim. – Respondeu A Leitura, sabiamente.E assim, explicou a Alice um possível caminho, que ela poderia percorrer, mas avisou-a dos vários perigos que a esperavam.Alice agradeceu-lhe e seguiu as palavras sábias de A Leitura.Cuidadosamente, percorreu vários caminhos e deparou-se com inimagináveis situações, mas logo chegou a casa, onde sabia que estava em segurança.
Sofia Miguel Rocha Campos. Nº 21, 8º B

As Aventuras de Alice no País das Maravilhas & Alice do Outro Lado do Espelho


Lewis Carroll


Charles Lutwidge Dodgson, conhecido como Lewis Carroll, nasceu em Inglaterra em 1832, foi matemático, lógico, fotógrafo e romancista e ficou até hoje conhecido pelo sucesso de Alice no País das Maravilhas. Faleceu em 1898 e, actualmente, inspira muitas crianças, adolescentes e adultos do mundo inteiro.

Tim Burton, dirigiu Alice in Wonderland, actualmente nas salas de cinema, e a Sofia do 8º B dedicou-lhe o conto "Alice e a Leitura".




Para que não fiquem na gaveta...

Deu-se início a este blogue para que muitos dos textos escritos pelos alunos não fiquem guardados na gaveta, nem se confinem ao espaço da sala de aula. Assim, publicaremos aquilo que fores escrevendo e que desejas partilhar com a tua escola.