27 de Janeiro de 1599
Boa noite, meu ouvinte!
Ainda bem que posso contar contigo todas as noites, para me libertar deste sofrimento que sinto no coração. A mágoa que sinto neste momento é tão grande que me sufoca a alma e me impede de ser eu mesma todos os dias.
Eu sei tudo, tenho pena que pensem que ainda sou uma criança imatura e por esse motivo não me possam dizer aquilo que já sei. Só queria uma confirmação da parte deles.
Eu sei que tenho apenas 13 anos, mas também sinto que já sou uma criança bastante desenvolvida para a idade que tenho. Eu sinto coisas que ninguém sente, oiço coisas que ninguém ouve e consigo ler nas entrelinhas tudo aquilo que eles não me querem contar. Dia após dia, sinto-me mais incapacitada de correr como corria, brincar como brincava, de viver como vivia, coisas que todas as crianças normais da minha idade fazem. As palpitações no meu coração estão cada vez mais fortes, a tosse seca, as febres altas, as tonturas, o sangue a sair pela minha boca, já não suporto mais isto! Sinto que os meus dias estão a acabar!
Meu querido ouvinte, pressinto que este seja um dos meus últimos desabafos. Despeço-me com ansiedade de saber se te vou poder escrever de novo.
Maria de Vilhena.
29 de Janeiro de 1599
Boa noite, meu ouvinte!
Estou farta de me questionar sobre o porquê de o Telmo ter deixado de falar comigo sobre D. Sebastião e sobre o seu regresso. Foi como se de repente ele se tivesse esquecido que também é um Sebastianista e que tal como eu acredita na sua vinda, para nos salvar deste governo Filipino.
Não sei será a minha ingenuidade, mas, na minha opinião, Portugal devia ser governado por Portugueses e não por espanhóis, porque nós é que sabemos as necessidades do nosso povo e eles, os espanhóis, só se preocupam com a responsabilidade de governar Portugal.
Os meus dias estão cada vez mais monótonos e as palavras que te escrevo são cada vez mais escassas. Não tendo assim nada de novo para te escrever, despeço-me de ti mais uma vez.
Maria de Vilhena.
Boa noite, meu ouvinte!
Ainda bem que posso contar contigo todas as noites, para me libertar deste sofrimento que sinto no coração. A mágoa que sinto neste momento é tão grande que me sufoca a alma e me impede de ser eu mesma todos os dias.
Eu sei tudo, tenho pena que pensem que ainda sou uma criança imatura e por esse motivo não me possam dizer aquilo que já sei. Só queria uma confirmação da parte deles.
Eu sei que tenho apenas 13 anos, mas também sinto que já sou uma criança bastante desenvolvida para a idade que tenho. Eu sinto coisas que ninguém sente, oiço coisas que ninguém ouve e consigo ler nas entrelinhas tudo aquilo que eles não me querem contar. Dia após dia, sinto-me mais incapacitada de correr como corria, brincar como brincava, de viver como vivia, coisas que todas as crianças normais da minha idade fazem. As palpitações no meu coração estão cada vez mais fortes, a tosse seca, as febres altas, as tonturas, o sangue a sair pela minha boca, já não suporto mais isto! Sinto que os meus dias estão a acabar!
Meu querido ouvinte, pressinto que este seja um dos meus últimos desabafos. Despeço-me com ansiedade de saber se te vou poder escrever de novo.
Maria de Vilhena.
29 de Janeiro de 1599
Boa noite, meu ouvinte!
Estou farta de me questionar sobre o porquê de o Telmo ter deixado de falar comigo sobre D. Sebastião e sobre o seu regresso. Foi como se de repente ele se tivesse esquecido que também é um Sebastianista e que tal como eu acredita na sua vinda, para nos salvar deste governo Filipino.
Não sei será a minha ingenuidade, mas, na minha opinião, Portugal devia ser governado por Portugueses e não por espanhóis, porque nós é que sabemos as necessidades do nosso povo e eles, os espanhóis, só se preocupam com a responsabilidade de governar Portugal.
Os meus dias estão cada vez mais monótonos e as palavras que te escrevo são cada vez mais escassas. Não tendo assim nada de novo para te escrever, despeço-me de ti mais uma vez.
Maria de Vilhena.
3 de Fevereiro de 1599
Boa noite, meu ouvinte!
Já há 5 dias que não te escrevo e a falta que sinto de desabafar contigo é imensa.
Muita coisa se tem passado... Dia após dia, a distância entre os meus pais tem sido cada vez maior. Não sei porque motivo, mas desconfio que esteja relacionado com aquele retrato pendurado no hall de entrada, colocado ao lado do meu admirável D. Sebastião e de Luís de Camões. Desde o dia em que viemos para esta casa, aquele retrato tem assombrado a minha mãe.
Eu acho que percebo o que se passa, mas não sei se quero perceber. Sinto-me cada vez mais fraca e incapaz de questionar a minha mãe sobre assunto algum, sei que aquela face persegue toda a hora e momento o pensamento da minha querida mamã.
Peço-te força e coragem para a conseguir ajudar a suportar toda esta tristeza que a tem atormentado.
Tenho o pressentimento de que a próxima vez que te escreverei será para me despedir definitivamente de ti.
A minha mãe acabou de passar no corredor desfeita em lágrimas, tenho de ir...
Maria de Vilhena.
11º E
Catarina Fonseca
Rafaela Moreira
Joana Sequeira
Paula Fonseca
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