Yara, uma rapariga jovem e com grande beleza, vivia numa pequena aldeia perto de Atenas. A sua família era pobre, mas vivia alegremente. Yara era uma estudiosa, tinha conseguido há pouco tempo uma bolsa de estudo em Itália por causa de tão boas notas. Porém, apesar da felicidade, Yara não queria deixar a família sozinha em tão más condições. Quando chegou o dia de partir, toda a sua família chorava perdidamente, mas sabia que isto era o melhor para ela e para todos.
Quando Yara chegou a Itália, ficou espantada, era tudo muito diferente da sua pequena aldeia. À sua espera estava Giulia, colega de escola. Giulia e Yara passaram as três horas seguintes do caminho para Milão a falar. Quando chegaram, já era de noite, Giulia convidou Yara para uma pequena celebração na Vila em que Yara iria viver. Esta concordou em ir e chegaram lá em pouco tempo. Todos os presentes ficaram hipnotizados com a estranha beleza grega de Yara, especialmente Thiago, filho do Conde Charles de Inglaterra. Não demorou muito até que Thiago fosse falar com Yara. Os dois conversaram durante toda a celebração e, assim, começou esta história de amor.
Yara e Thiago apaixonaram-se logo que se viram. Durante os dias seguintes, não se largavam, parecia que tudo ia durar para sempre, mas não. O pai de Thiago ouviu falar neste romance e decidiu acabar com tudo. Um filho dele nunca iria casar com uma estrangeira e ainda por cima, pobre. O Conde Charles fez tudo o que podia, ameaçou-a, tratou-a mal, mas, em vez de acabar com o amor que os dois sentiam, fê-lo ficar maior e ainda mais forte. Os tempos foram passando e, numa noite escura de Novembro, Thiago e Yara casaram às escondidas, por baixo do grande Carvalho, onde fizeram juras de amor eterno.
Quando Charles descobriu, não pensou duas vezes e mandou matar Yara. Como prova de sua morte, pediu que lhe trouxessem o seu coração. A ordem foi executada e Yara faleceu às dez em ponto da noite. Porém, antes de falecer desenhou no chão um Narciso, pois Yara era fascinada pela história de Eco e Narciso. Thiago ficou desfeito, fechou-se em sua casa durante dois meses. Saía apenas para ir chorar mais, para perto de sua amada.
Um dia, quando estava perto do velho Carvalho, reparou no rio que passava ao lado e viu que nele estavam pousadas belas palavras de amor em Grego e, ao lado, um enorme Narciso. Thiago ficou admirado, pois ninguém naquela terra sabia Grego excepto Yara, que lhe tinha ensinado pequenas frases. Reparou que essas mesmas frases iam aparecendo sucessivamente pelo rio e pela face de Thiago iam caindo lágrimas de variadas emoções: saudades da esposa que amava mais do que a ele próprio, alegria por ver que mesmo em espírito, Yara, deusa e dona de seu coração, continuava a pensar nele; tristeza, pois sabia que só depois da sua morte a iria ver e fúria, pois sabia que tudo isto só aconteceu por causa de seu pai.
Depois de ver este sinal de Yara, Thiago ficou mais desesperado, enlouqueceu por não ter ao pé de si tudo o que mais queria, passava os dias naquele rio procurando mensagens de sua amada.
Com o desespero, matou-se, pois sabia que era a única forma de a ver de novo. Mas antes de se suicidar escreveu inúmeras cartas de amor para uma deusa Grega e, numa dessas cartas, pediu para ser enterrado ao lado de Yara para que pudessem viver o amor que não puderam na Terra na Eternidade. O seu pai, o Conde Charles, arrependeu-se do mal que fez, pois foi isso que lhe tirou o filho, e, para se redimir, juntou todas as cartas que Thiago tinha escrito e publicou-as por meio dum livro denominado "Deusa do Amor".
Amor mata, amor dói, mas no fim todos queremos um pouco dele.
Dedicado a Pedro I e a Inês de Castro, por quem o amor também foi roubado, mas que ainda vive.
Fátima, nº 16,8º B
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