terça-feira, 11 de maio de 2010

Ao entrar no meu quarto

Ao entrar no meu quarto, sente-se uma sensação agradável: há frescura e pureza no ar, com o sol a espreitar todas as manhãs e a espalhar luz, alegria e cor por todo o lado.
As duas paredes, cor-de-rosa, reflectem cor e vida. As portadas das janelas esbranquiçadas brilham como estrelas à luz do sol. E, envolvendo tudo, uma extraordinária mistura inebriante dos vários perfumes torna fresco e leve o ambiente do meu quarto.
O brilho do chão envernizado intensifica-se com a luz do sol e, da parede, um menino com uma lágrima olha -me sempre. Entrando no quarto, do lado direito, encontra-se uma secretária/prateleira, onde passo o meu tempo de estudo, e uma cama. Em frente da porta e ao lado da janela, situa-se uma mesinha de cabeceira, que está perto da cama e encostada à parede. Do lado esquerdo, um guarda-fatos.
Da janela do meu quarto vê-se a luz, as casas dos vizinhos e uma estrada nacional, em que passam continuamente automóveis.
Nele sinto uma sensação de que estou confortável, e que posso dizer: “Estou no meu canto, no meu mundo”.

Maria João da Silva Padrão nº 14, 7º A

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Marinheiro

Numa manhã de Junho, Robert, um rapazinho de 8 anos, correu para a praia como fazia todos os dias. Ficava horas a ver o mar. Mal Robert sabia que a sua vida estava prestes a mudar.
Dois homens conversavam à beira mar. Um olhou para o rapazinho e perguntou:
- O que estás aqui a fazer?
Rob respondeu:
- Vim ver o mar. Todos os dias venho vê-lo.
- Vejo que gostas do mar.
- Sim, muito! E um dia, vou ser um grande marinheiro!
- Ai sim? Rapaz, queres vir comnosco e tornar-te marinheiro?
- Gostava muito!
- Como te chamas?
- Robert.
- Muito bem, Robert! Agora, és um marinheiro de verdade!
O menino sorriu e o outro homem, alto, ruivo e de olhos azuis, disse sorrindo:
- Bem vindo a bordo!
Já no alto mar, Robert deliciava-se com o cheiro do mar e com a brisa a bater-lhe na cara. Nunca na sua vida se sentira tão feliz!
- Capitão, – chamou o pequeno, ao mesmo tempo que lhe dava puxões na camisola – o que há no fundo do mar?
- Os teus pais nunca te disseram?
- Os meus pais estão a dormir.
Fez uma cara triste.
- Oh! Desculpa! – disse o capitão. – Bem, então cuidarei de ti como se fosse teu pai!
Riu e continuou:
- No fundo do mar, existem conchas, navios naufragados, tesouros, peixes e sereias.
- Sereias? O que são sereias? – questionou confuso.
- Sereias são seres que são metade mulher metade peixe. –explicou.
- Ah! Obrigado senhor capitão!
- Sabes, miúdo, és parecido comigo!
Robert sorriu.
Viajou por todo o mundo. Do Reino Unido, que era a sua casa, à América, Índia, Japão, França… Um pouco por todo o lado.
Thomas, o capitão do navio, adoptara Robert e, desde então, tratara-o como um filho e Robert tratava-o como um pai. Robert conseguira aquilo que sempre desejara… Ser marinheiro.


Ana Luís Cardoso Soares
Nº 3 - 8º B

terça-feira, 27 de abril de 2010

Ler está na moda

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Um conto de Saramago

terça-feira, 6 de abril de 2010

A Lua

A Lua preparava-se para iluminar a Noite, que estava para chegar a qualquer momento, e, com ela, as Estrelas. Enquanto avistava as Estrelas a posicionarem-se no seu lugar no céu, ela ajeitava o seu vestido branco de renda e penteava o cabelo negro como a noite. Assim que chegasse perto das irmãs Estrelas e Noite, iria envergar o disfarce de um astro redondo e branco, como todas as noites fazia.

Quando atingia a fase de Lua Nova, escondia-se atrás das nuvens e passava as noites a conversar com as Estrelas, também escondidas pelas nuvens Pairavam sobre as corujas e grilos, que chiavam e gritavam na noite para assumir presença, sobre o brilho que elas transmitiam sobre os mares, lagos e rios, sobre os jovens namorados que, muitas vezes, acompanhavam, e sobre o Dia, que ambas nunca viram nas suas vidas.

Mas quando a Lua estava na sua fase mais brilhante e completa, a Lua Cheia, aí, sorria para o mundo a noite inteira. Rapidamente se transformava no centro da noite e, às vezes, as Estrelas ficavam com inveja, porque eram míseros pontos que brilhavam na imensidade negra que era o céu à noite, e quase passavam despercebidas à beira da Lua.

A Noite já estava quase a cobrir o céu e, então, a Lua já estava preparada para sair e colocar-se à sua beira, mas as Estrelas fizeram-lhe frente e disseram:

- É noite de Lua Cheia e tens sempre a atenção toda concentrada em ti, mas hoje isso não vai acontecer, porque não vais aparecer.

E então, prenderam a Lua no Espaço e, durante quase a noite inteira, ela gritou que a acudissem, mas nada se moveu, apenas ela.

As pessoas questionavam-se por que é que a Lua não tinha aparecido. Os mochos e corujas calaram-se, os grilos também, as marés, rios e lagos estavam indignados com a ausência da Lua, e os namorados deixaram de se amar. A Lua estava agoniada com a catástrofe e a Noite também. Esta não sabia onde ela estava e as Estrelas fingiram-se distraídas, fizeram de conta que nada se passava, mas uma delas, que estava profundamente arrependida, disse o que tinham feito, ela e as suas irmãs.

A Noite ralhou-lhes durante muito tempo, mas logo libertaram a Lua.

A Lua e a Noite estavam desapontadas com as Estrelas, mas compreendiam-nas e, assim, ambas decidiram dar mais brilho a cada Estrela que existia, e a que mais brilha no céu, a Estrela que aponta o Pólo Norte, é aquela que se arrependeu do que fez, e, assim, a Lua deu-lhe mais brilho do que às outras.

Sofia Miguel,
8º B

quarta-feira, 17 de março de 2010

Homem à beira-mar

Era uma vez um homem, um marinheiro que nunca deixou o mar por completo, e cujo corpo estava na terra, mas o coração continuava no mar, não se sabe se no fundo do mar ou se em alto mar.
Antes de sair para alto mar, os marinheiros pediam-lhe para ele fazer a sua “previsão” para o futuro do navio e, por vezes, ele fazia-a e dizia: “Este é um navio naufragado porque os homens que irão nele têm o coração em terra”, ou, ao contrário, “Este navio voltará até nós outra vez”. Por vezes, porém, não dizia nada, não se sabe porquê, mas não falava, como se tivesse medo de falhar. Mas, mesmo assim, as suas palavras – e até mesmo os seus silêncios para o povo da sua terra – eram cheias de sabedoria e até os mais novos adoravam ouvir as suas historias, algumas verídicas outras muito fantasiosa com fantasmas e navios que desapareciam em alto mar, monstros que os “comiam” e piratas de perna de pau.
Tudo isto fez parte da vida do Homem à beira-mar, até vinte e nove de Maio de mil novecentos e noventa e sete, dia em que morreu.
Uma coisa curiosa é que, antes de morrer, fez um pedido, tal como no conto “Saga” de Sophia de Mello Breyner Andresen que ele lera em tempos, e pediu para ser enterrado num sítio onde o rio, a barra e o mar se vissem, para que o mar estivesse presente, como esteve na sua vida. Por isso, queria-o também na sua morte. E assim é a historia do Homem à beira-mar.


Francisca Carvalho, nº 11, 8ºB

terça-feira, 16 de março de 2010

(Um) Diário de Maria III

27 de Janeiro de 1599

Boa noite, meu ouvinte!
Ainda bem que posso contar contigo todas as noites, para me libertar deste sofrimento que sinto no coração. A mágoa que sinto neste momento é tão grande que me sufoca a alma e me impede de ser eu mesma todos os dias.
Eu sei tudo, tenho pena que pensem que ainda sou uma criança imatura e por esse motivo não me possam dizer aquilo que já sei. Só queria uma confirmação da parte deles.
Eu sei que tenho apenas 13 anos, mas também sinto que já sou uma criança bastante desenvolvida para a idade que tenho. Eu sinto coisas que ninguém sente, oiço coisas que ninguém ouve e consigo ler nas entrelinhas tudo aquilo que eles não me querem contar. Dia após dia, sinto-me mais incapacitada de correr como corria, brincar como brincava, de viver como vivia, coisas que todas as crianças normais da minha idade fazem. As palpitações no meu coração estão cada vez mais fortes, a tosse seca, as febres altas, as tonturas, o sangue a sair pela minha boca, já não suporto mais isto! Sinto que os meus dias estão a acabar!
Meu querido ouvinte, pressinto que este seja um dos meus últimos desabafos. Despeço-me com ansiedade de saber se te vou poder escrever de novo.

Maria de Vilhena.



29 de Janeiro de 1599

Boa noite, meu ouvinte!
Estou farta de me questionar sobre o porquê de o Telmo ter deixado de falar comigo sobre D. Sebastião e sobre o seu regresso. Foi como se de repente ele se tivesse esquecido que também é um Sebastianista e que tal como eu acredita na sua vinda, para nos salvar deste governo Filipino.
Não sei será a minha ingenuidade, mas, na minha opinião, Portugal devia ser governado por Portugueses e não por espanhóis, porque nós é que sabemos as necessidades do nosso povo e eles, os espanhóis, só se preocupam com a responsabilidade de governar Portugal.
Os meus dias estão cada vez mais monótonos e as palavras que te escrevo são cada vez mais escassas. Não tendo assim nada de novo para te escrever, despeço-me de ti mais uma vez.


Maria de Vilhena.

3 de Fevereiro de 1599

Boa noite, meu ouvinte!
Já há 5 dias que não te escrevo e a falta que sinto de desabafar contigo é imensa.
Muita coisa se tem passado... Dia após dia, a distância entre os meus pais tem sido cada vez maior. Não sei porque motivo, mas desconfio que esteja relacionado com aquele retrato pendurado no hall de entrada, colocado ao lado do meu admirável D. Sebastião e de Luís de Camões. Desde o dia em que viemos para esta casa, aquele retrato tem assombrado a minha mãe.
Eu acho que percebo o que se passa, mas não sei se quero perceber. Sinto-me cada vez mais fraca e incapaz de questionar a minha mãe sobre assunto algum, sei que aquela face persegue toda a hora e momento o pensamento da minha querida mamã.
Peço-te força e coragem para a conseguir ajudar a suportar toda esta tristeza que a tem atormentado.
Tenho o pressentimento de que a próxima vez que te escreverei será para me despedir definitivamente de ti.
A minha mãe acabou de passar no corredor desfeita em lágrimas, tenho de ir...


Maria de Vilhena.
11º E
Catarina Fonseca
Rafaela Moreira
Joana Sequeira
Paula Fonseca