terça-feira, 27 de abril de 2010

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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Um conto de Saramago

terça-feira, 6 de abril de 2010

A Lua

A Lua preparava-se para iluminar a Noite, que estava para chegar a qualquer momento, e, com ela, as Estrelas. Enquanto avistava as Estrelas a posicionarem-se no seu lugar no céu, ela ajeitava o seu vestido branco de renda e penteava o cabelo negro como a noite. Assim que chegasse perto das irmãs Estrelas e Noite, iria envergar o disfarce de um astro redondo e branco, como todas as noites fazia.

Quando atingia a fase de Lua Nova, escondia-se atrás das nuvens e passava as noites a conversar com as Estrelas, também escondidas pelas nuvens Pairavam sobre as corujas e grilos, que chiavam e gritavam na noite para assumir presença, sobre o brilho que elas transmitiam sobre os mares, lagos e rios, sobre os jovens namorados que, muitas vezes, acompanhavam, e sobre o Dia, que ambas nunca viram nas suas vidas.

Mas quando a Lua estava na sua fase mais brilhante e completa, a Lua Cheia, aí, sorria para o mundo a noite inteira. Rapidamente se transformava no centro da noite e, às vezes, as Estrelas ficavam com inveja, porque eram míseros pontos que brilhavam na imensidade negra que era o céu à noite, e quase passavam despercebidas à beira da Lua.

A Noite já estava quase a cobrir o céu e, então, a Lua já estava preparada para sair e colocar-se à sua beira, mas as Estrelas fizeram-lhe frente e disseram:

- É noite de Lua Cheia e tens sempre a atenção toda concentrada em ti, mas hoje isso não vai acontecer, porque não vais aparecer.

E então, prenderam a Lua no Espaço e, durante quase a noite inteira, ela gritou que a acudissem, mas nada se moveu, apenas ela.

As pessoas questionavam-se por que é que a Lua não tinha aparecido. Os mochos e corujas calaram-se, os grilos também, as marés, rios e lagos estavam indignados com a ausência da Lua, e os namorados deixaram de se amar. A Lua estava agoniada com a catástrofe e a Noite também. Esta não sabia onde ela estava e as Estrelas fingiram-se distraídas, fizeram de conta que nada se passava, mas uma delas, que estava profundamente arrependida, disse o que tinham feito, ela e as suas irmãs.

A Noite ralhou-lhes durante muito tempo, mas logo libertaram a Lua.

A Lua e a Noite estavam desapontadas com as Estrelas, mas compreendiam-nas e, assim, ambas decidiram dar mais brilho a cada Estrela que existia, e a que mais brilha no céu, a Estrela que aponta o Pólo Norte, é aquela que se arrependeu do que fez, e, assim, a Lua deu-lhe mais brilho do que às outras.

Sofia Miguel,
8º B